terça-feira, 21 de maio de 2019

Gabriela Mistral - El placer de servir



Jeanne Laurent/Eduardo Verderame


El placer de servir - Gabriela Mistral

Toda naturaleza es un anhelo de servicio.
Sirve la nube, sirve el viento, sirve el surco.
Donde haya un árbol que plantar, plántalo tú;
Donde haya un error que enmendar, enmiéndalo tú;
Donde haya un esfuerzo que todos esquivan, acéptalo tú.
Sé el que aparta la piedra del camino, el odio entre los
corazones y las dificultades del problema.

Hay una alegría del ser sano y la de ser justo, pero hay,
sobre todo, la hermosa, la inmensa alegría de servir.
Que triste sería el mundo si todo estuviera hecho,
si no hubiera un rosal que plantar, una empresa que emprender.

Que no te llamen solamente los trabajos fáciles
¡Es tan bello hacer lo que otros esquivan!
Pero no caigas en el error de que sólo se hace mérito
con los grandes trabajos; hay pequeños servicios
que son buenos servicios: ordenar una mesa, ordenar
unos libros, peinar una niña.

Aquel que critica, éste es el que destruye, tu sé el que sirve.
El servir no es faena de seres inferiores.
Dios que da el fruto y la luz, sirve.
Pudiera llamarse así: "El que Sirve".

Y tiene sus ojos fijos en nuestras manos y nos
pregunta cada día: ¿Serviste hoy? ¿A quién?
¿Al árbol, a tu amigo, a tu madre?

sábado, 18 de maio de 2019

Oglala Lakota (Sioux)



Bandeira Oglala


Referências do povo Oglala (ou Ogalala), uma das 7 subtribos dos Lakota, da etnia Sioux, hoje vivendo na reserva de Pine Ridge no Sudoeste do estado de South Dakota, a oitava maior reserva dos USA.

A primeira vez que ouvi falar nos Oglala foi através de uma foto de Edward Curtis (1868-1962), fotógrafo americano que registrou em mais de 2000 fotos e textos distribuídas nos diversos volumes de seu The North American Indian as tribos remanescentes da América do Norte na passagem do século XIX e XX.

A foto em questão é da filha do chefe American Horse (abaixo)



o Chefe American Horse




Entre os Oglala viveu o Chefe e curador Sitting Bull (Tȟatȟáŋka Íyotake), reconhecido como o líder do último movimento de resistência nativo ao governo dos USA. Foi morto por agentes federais a 15 de Dezembro de 1890.



Certamente a história dos povos Nativos Americanos foi bastante atribulada depois da chegada dos Europeus, e os documentos históricos sempre foram bastante explícitos a respeito. No caso de Sitting Bull, que havia vencido as tropas do General Custer na batalha de Little Bighorn e escapado para o Canadá, a promessa de liberdade foi um pretexto para favorecer seu retorno que culminou com seu assassinato na ocasião da tentativa de sua prisão.


A acusação que levou ao decreto de prisão a Sitting Bull foi a de que ele fazia parte de um movimento politico e religioso de resistência indígena chamado Ghost Dance, que em tese reunia os mortos aos vivos através da dança para lutar contra os homens brancos. Mas talvez o real motivo para seu assassinato fosse o fato de Sitting Bull ser contrário a venda de terras Sioux ao governo americano.

Ghost Dance em Pine Ridge



Abaixo uma delegação indígena em reunião com o Governo Americano em Washington, DC no ano de 1870.
 

....

Em 2014 foi aprovado através de um plebiscito a mudança de nome de Shannon County, que fica dentro da reserva de Pine Ridge, para Oglala Lakota County.
O antigo nome do condado deriva de Peter Shannon, que foi o Juiz que negociou a venda das terras dos Oglala para o governo dos USA, no século XIX.





quinta-feira, 2 de maio de 2019

Capela da Serra da Piedade


caminhada em abril 2019

A Serra da Piedade vista de Caeté

entrada do parque e início da subida de 6,5 kms


 um dos painéis dos passos, ao longo da estrada





 trechos da subida





Capela do Santuário de Nossa Senhora da Piedade, Serra da Piedade, Caeté, Minas Gerais


 interior da capela, imagem e altar atribuídos ao Aleijadinho



aspectos da capela em fotos antigas

 


 cidade de Caeté desde a serra.




https://pt.wikipedia.org/wiki/Serra_da_Piedade

quarta-feira, 1 de maio de 2019

sábado, 20 de abril de 2019

resposta do Chefe Seattle

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Carta do Chefe Seattle

"O presidente em Washington manda dizer que ele deseja comprar a nossa terra. Mas como você pode comprar ou vender o céu? A terra? A idéia é estranha para nós. Se não possuímos a frescura do ar e o brilho da terra." Água, como você pode comprá-los?

Toda parte da terra é sagrada para o meu povo. Cada agulha de pinho brilhante, cada costa arenosa, cada névoa na floresta escura, cada prado, cada inseto cantarolando. Todos são santos na memória e experiência do meu povo.

Conhecemos a seiva que percorre as árvores e conhecemos o sangue que corre em nossas veias. Nós somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs. O urso, o cervo, a grande águia, estes são nossos irmãos. As cristas rochosas, o orvalho na campina, o calor do corpo do pônei e o homem pertencem à mesma família.

A água brilhante que se move nos rios e riachos não é apenas água, mas o sangue de nossos ancestrais. Se vendermos a nossa terra, você deve lembrar que ela é sagrada. Cada reflexo brilhante nas águas límpidas dos lagos fala de eventos e memórias na vida do meu povo. O murmúrio da água é a voz do pai do meu pai.

Os rios são nossos irmãos. Eles saciam a nossa sede. Eles carregam nossas canoas e alimentam nossos filhos. Então você deve dar aos rios a bondade que você daria a qualquer irmão.

Se vendermos nossa terra, lembre-se de que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que ele suporta. O vento que deu ao nosso avô sua primeira respiração também recebeu seu último suspiro. O vento também dá aos nossos filhos o espírito da vida. Então, se vendermos nossa terra, você deve mantê-la separada e sagrada, como um lugar onde o homem pode ir para provar o vento que é adoçado pelas flores do prado.

Você ensinará a seus filhos o que ensinamos a nossos filhos? Que a terra é nossa mãe? O que acontece com a terra, acontece com todos os filhos da terra.

Isso nós sabemos: a terra não pertence ao homem, o homem pertence à terra. Todas as coisas estão conectadas como o sangue que nos une a todos. O homem não tece a teia da vida, ele é apenas um fio nela. Tudo o que ele faz para a rede, ele faz para si mesmo.

Uma coisa nós sabemos: nosso Deus é também seu Deus. A terra é preciosa para ele e prejudicar a terra é desprezar seu criador.

Seu destino é um mistério para nós. O que acontecerá quando os búfalos forem abatidos? Os cavalos selvagens domados? O que acontecerá quando os cantos secretos da floresta estiverem cheios do cheiro de muitos homens e a vista das colinas maduras for manchada de fios falantes? Onde estará o bosque? Se foi! Onde estará a águia? Se foi! E o que dizer adeus ao rápido pônei e depois caçar? O fim da vida e o começo da sobrevivência.

Quando o último homem vermelho tiver desaparecido com este deserto, e sua memória for apenas a sombra de uma nuvem se movendo através da pradaria, essas praias e florestas ainda estarão aqui? Haverá algum do espírito do meu povo?

Nós amamos esta terra como um recém-nascido ama o batimento cardíaco da sua mãe. Então, se vendermos a nossa terra, ame-a como a amamos. Cuide disso, pois nos preocupamos com isso. Mantenha em sua mente a memória da terra como é quando você a receber. Preserve a terra para todas as crianças e ame-a, como Deus nos ama.

Como somos parte da terra, você também faz parte da terra. Esta terra é preciosa para nós. Também é preciosa para você.

Uma coisa nós sabemos - existe apenas um Deus. Nenhum homem, seja ele homem vermelho ou branco, pode estar separado. Somos todos irmãos no fim de tudo.


fonte: http://www.csun.edu/~vcpsy00h/seattle.htm

https://en.wikipedia.org/wiki/Chief_Seattle

terça-feira, 16 de abril de 2019

sábado, 13 de abril de 2019

em algum lugar


a primavera está chegando


foto Inger Kaergaard

sexta-feira, 22 de março de 2019

Miniaturas Orientais na David Collection, Copenhagen

A David Collection em Copenhagen é um museu dedicado à coleção de arte de C.L.David (1868-1960) que contém uma expressiva quantidade de itens orientais e Islâmicos, sendo uma das mais importantes em toda a Europa. O prédio, a antiga residência do colecionista, ficou fechado entre 2006 e 2009 quando passou por uma reforma extensiva.


Dentro da coleção destaca-se um grande número de miniaturas persas e indianas


https://en.wikipedia.org/wiki/Fath-Ali_Shah_Qajar

retrato do Shah Fath Ali Shah Qajar, o segundo Shah do Iran (1772-1834), executada por Ahmad, pupilo de Mihr Ali.




"O Julgamento de Salomão", por Shaykh Abbasi, Isfahan, Iran, 1664
21,6 x 14,9 cm






 "Sita se Esconde de Hanuman, Acreditando que é Ravana Disfarçada", 1594
estilo Mughal, mostrando um trecho do Ramayana




"Principe Com Sua Amante", 1740, Jaipur, Índia, 23,4 x 17.8 cm, estilo Mughal


 

 Miniatura do artista contemporâneo Bulalal Marotia, Jaipur, India



 O PERÍODO INGLÊS ou ESTILO DA COMPANHIA




Estudo Botânico comissionado por Lady Mary Impey, cerca de 1780, Bengal, Índia





Os Cadernos dos Irmãos Fraser 

O escocês William Fraser (1784 - 1835), foi assistente do General David Ochterlony, e em sua estada na Índia, junto a seu irmão James, contratou ilustradores para compor um caderno revisitando o estilo Mughal, talvez influenciado pelo estilo Romantico europeu.


"Um Grupo de Recrutas Para o Regimento Equestre de Skinner", Delhi, Índia, 1815
23x 37,8 cm




"Kala com o Sabre Empunhado", Delhi, Índia, 1815




 "Kala em Uniforme", Delhi, Índia, 1815

Kala foi serviçal de William Fraser e aparece nas ilustrações com e sem seu uniforme de regimento no Esquadrão Equestre de James Skinner. Apesar de muitos desenhos do caderno serem assinador por Ghulan Ali Khan, os desenhos que mostram Kala não são assinados.




sábado, 16 de março de 2019

O Enigma Atrás da Porta




Étand Donnés, Marcel Duchamp at Philadelphia Museum of Art


O enigma atrás da porta
Regina Silveira

publicado no jornal Folha de São Paulo, em Julho de 2018

Apesar de nos 70 já ter uma pratica artística que devia bastante ao legado neo-dadaista - como podiam ser minhas explorações de uma nova reprodutibilidade e as trocas em circuitos globais de mail art, só pude conhecer mais a fundo a obra de Marcel Duchamp e sua contribuição à arte contemporânea na segunda metade daquela década, quando cursei disciplinas ministradas por Walter Zanini, no curso de Mestrado da ECA USP. Zanini foi, sem dúvida, nosso maior especialista em Duchamp, entendia muito bem seus conceitos e estratégias, enquanto proposital e sabiamente deixava muitas interpretações em aberto... Enfim, foi quando fiquei naturalmente alinhada com a obra do artista, por admiração e muita curiosidade.

Naqueles anos, o mais importante e influente foi, com certeza, descobrir em Duchamp sua atitude paródica, para com a ciência e com a própria arte do passado, que ele resgatava de modo muito particular. De um lado, podia apreciar seu uso irônico da histórica Perspectiva Linear com ponto de vista único –e o papel que lhe atribuía, quando dizia que a Perspectiva devolveria à pintura a inteligência que ela havia perdido; de outro lado, aprendia com seu engajamento- também paródico- no lado mágico e quase alucinatório das anamorfoses e fantasmagorias maneiristas, um imaginário que misturava com narrativas alegóricas, maquinarias simbólicos e experimentos ópticos. Grandes lições!

Mas a obra de Duchamp que sempre se manteve mais viva e ativa em minha imaginação é o seu ultimo trabalho, o Etant Donnes, aquela assamblage animada por um pequeno motor escondido, que realizou minuciosamente e em silêncio, por cerca de 20 anos (de 1946 a 1966) e hoje possível de ser visitada no Museu de Philadelphia, onde foi remontada depois de sua morte, em 1968.



Fiz mais de uma viagem a este museu, especialmente para visitá-la, no espaço reservado a coleção de obras do artista. Na primeira vez, em 1988, queria sobretudo vê-la ao lado do Grande Vidro, e poder apreciar em ambas obras- verdadeiros compêndios duchampianos- as diferenças na tomada do tema recorrente da Noiva despida pelos Solteiros... Mas minha motivação maior era decifrar aquele enigma escondido atrás da porta de madeira: o Etant Donnes: 1- La Chutte dÉau: 2-Le Gaz dÉclairage, cujo titulo, irônico, remetia à formulação de um teorema matemático...



O Grande Vidro, Marcel Duchamp


Já sabia por reproduções e descrições, que a obra poderia ser vista apenas por dois orifícios, feitos à altura dos olhos dos prováveis espectadores/voyeurs, numa velha porta de madeira, de estilo espanhol rural. Nos orifícios veria uma cena ilusionista- no seu sentido primeiro, de passar por verdade e substituto do mundo visual- em que uma figura feminina, despida e estranhamente real, com uma luminária acesa na mão, está caída sobre a vegetação rasteira do primeiro plano de uma paisagem .Ao fundo e dentro da paisagem, seria importante constatar os dois elementos que apontam, no titulo , aos componentes principais da obra: o lampião de gás na mão da figura despida e ao fundo da paisagem, a cascata diminuta, em discreto movimento luminoso.

Antes de ver ao vivo a assamblage de Duchamp, havia lido que John Cage, em entrevista a Alain Jouffroy (publicada na revista Opus Internacional, em 1974, p. 60) revelava que a cuidadosa distribuição dos elementos da cena vista pelos orifícios da porta espanhola havia sido feita sobre um chão revestido com um padrão quadriculado , similar a um tabuleiro de xadrez- o que avançava a suposição de uma elaborada construção perspectivista, na qual o espectador deve ocupar num ponto de vista especifico (os orifícios) como condição da ilusão tridimensional. Duchamp certamente conhecia os gabinetes perspectivistas, essas pequenas caixas óticas, realizadas por artistas dos Países Baixos ao longo do sec. 17, com seus interiores arquitetônicos pintados com forte distorção da perspectiva, nas quais o chão, invariavelmente quadriculado, tinha a função de dimensionar a profundidade e as distorções que o ponto de vista único- concretizado como furinho nas paredes da caixa-devia corrigir. O próprio artista menciona os tratados dos perspectivistas aos quais teria tido acesso quando foi estagiário da biblioteca Sainte Genevieve, como repertórios e recursos que mais tarde aplicaria às suas Opticeries.

Mas quando finalmente tive acesso aos furinhos da porta, não consegui ver o chão quadriculado, escondido pelos elementos construídos encima dele. ao que parece em Etant Donnes a quadricula invisível teria sido apenas um recurso pratico para localizar as partes- Até então eu confiava na quadricula como estratégia quase única para obter uma perspectiva opticamente corrigida que, por sua vez, explicaria a intensidade daquela ilusão. Entretanto, sua aparente desconexão com o ponto de vista terminou por derrubar minha interpretação pré-fabricada : Etant Donnes não devia nada a correções de Perspectiva ...

Olhando a cena, meu impacto maior vinha agora de outro dado: aquela nitidez absurda, sob iluminação focada e quase excessiva –Etant Donnes era uma hiper realidade! Com esta nova percepção da obra comecei a pensar que aquilo que via não era a cena montada diretamente atrás da porta, mas seu reflexo concentrado num espelho- ou jogo de espelhos- sabiamente colocados por Duchamp. Só espelhos podem oferecer essas imagens tão condensadas e com este grau de nitidez! agora precisava descobrir onde Duchamp teria colocado os espelhos...

A ajuda para sair deste labirinto de interpretações, veio com a informação de que estava a venda ao publico, na lojinha do museu, o caderno de anotações do artista, para a montagem e a desmontagem do Etant Donnes :um arquivo de folhas soltas com instruções minuciosas escritas a mão, fotos e maquete de papelão, que o Museu de Philadelphia editou como fac-símile, 15 anos depois da integração da obra à coleção, conforme havia acordado com o artista.

      

anotações de Marcel Duchamp


O manual de instruções, que conservo com cuidado, é apenas técnico: ensina detalhadamente como montar e desmontar a obra, e descreve todos os seus componentes. mas não traz qualquer item que aluda às intenções e escolhas do artista. Nem preciso dizer o quanto procurei , em todas as suas paginas, os detalhes que antes haviam movido a minha curiosidade. Por certo encontrei fotos do chão quadriculado, com as devidas marcas para pousar os pês da a mesa que levava encima o nu com a paisagem iluminada. Mas por mais que procurasse não encontrei qualquer imagem ou menção aos supostos espelhos- e mais: vendo como o conjunto da construção se conectava com a porta, soube que não fazia qualquer sentido eu ficar pensando em reflexos e fantasmagorias...

Mesmo sem pistas para interpretação, este manual mudou totalmente o foco na minha relação com a obra, pela simples revelação da incrível parafernália precária que Duchamp juntou atrás da porta de madeira.

Imediatamente fiquei tomada pelas estratégias envolvidas nos fakes cuidadosamente elaborados pelo artista, todos registrados em fotos : o fundo da paisagem – fotográfica- se acopla num céu que é um pedaço de vidro onde ele colou nuvens de algodão, e a galharia seca presa junto as pernas da figura despida do primeiro plano, para ajudar a ilusão de volume e profundidade do campo visual. Também nas fotos se descobre a magica da cascata: não só seu movimento é gerado pelo motorzinho preso na parte de trás da mesa, seu falso brilho esta controlado pela inclinação de uma barra que aguenta uma velha caixa de biscoitos...O manual também mostra detalhes como se amarrou a peruca ruiva no fragmento de manequim e como dirigir a intensidade das pequenas luminárias colocadas em traves de madeira.

Similar a um pequeno teatro, a fantástica construção precária atrás da porta conta ate com cortinas- uma branca e outra preta- para garantir que toda a intensidade luminosa fique concentrada na figura nua, o pivô de um acontecimento fictício que nunca parei de imaginar...

Esta trucagem toda, magicamente montada, conseguiu de uma vez por todas deslocar meu foco de interesse nesta obra, antes apoiado no provável uso de dispositivos óticos, para a própria narrativa alegórica, aberta, surpreendente e complexa, que chega ao seu olho como uma fantasmagoria hiper real. Pude entender melhor a sua relação com o Grande Vidro, e consigo ver as ancoras desta narrativa em muitas de suas obras anteriores...- Etant Donnes é de fato um tipo de resumo e um trabalho conclusivo, como quis o artista.

Gosto muito de pensar no tempo implicado na sua execução e nos refinamentos que os 20 anos permitiram dar a esta obra- enquanto se pensava que Duchamp havia desistido de fazer arte e usava todo seu tempo apenas para jogar xadrez....


(fotos eduardo verderame)